quinta-feira, 15 de setembro de 2011

setembro

Nada de novo, apenas o tempo bagunçado. Sobrevivemos a agosto, nenhum cão raivoso nos mordeu. Setembro, a temperatura oscila. Logo chegará o verão, ruidoso e insuportável.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sinapse

Acorda, Lázaro! Homem, morto, homem morto, morto-vivo, homem? Ou cansado, apenas? A voz no seu ouvido, o cheiro de bálsamo no corpo para disfarçar o cheiro da morte, a voz suave no seu ouvido. O corpo tremeu, de vida. Vida. Acorde, homem morto!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

E Pan pariu Satã

Lascivo, solitário. Meio homem, meio bode.
Com sua música, um feitiço.
Seus amores, impossíveis.
Trataram-no de cobrir de sangue, de colocar sobre ele culpa e crimes pesados.
Dos bosques solitários foi arrancado para um gélido inferno. Ou talvez quente, como as profundezas da Terra.
Sua música? Culpada pelos desejos perversos daqueles que querem parecer virtuosos.
De Pã geraram Satã.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Agosto

"(...) nós não percebemos a coisa inteira, percebemos sempre menos, percebemos apenas o que estamos interessados em perceber, ou melhor, o que temos interesse em perceber, devido a nossos interesses econômicos, nossas crenças ideológicas, nossas exigências psicológicas. Portanto, comumente, percebemos apenas clichês." (G.D. - A Imagem-Tempo)

Deus morreu!
Quem afirma isso?
Foi aquele homem que morreu e nem se quer se deu conta disso?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Sonhadores

(E um punhado de clichês é tudo do que precisamosC.C., Penny Century)

Ele, ela. Ela, ele.
Um só, dois.
Um não precisa estar dentro,
não precisa entrar, pois nunca sai de dentro.
A ninfa e o pã, sempre e sempre brincando.
O enorme apartamento é tão grande quanto o mundo,
Se não há o que se comer, se come o que se há.
Ele, ela, os filhos do poeta.
O mais belo poema composto.
Lindo ele achar lindo o sangue dela que vem apenas uma vez por mês
Lindo é tudo.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

aprendendo a cuspir

Faço uma pergunta, a mesma forma como eu a elaboro eu utilizaria se fizesse uma afirmação. Mudo apenas a entonação para que você entenda meu questionamento.
Um ponto de interrogação (assim: ?) não sobre a minha cabeça, mas agora ao redor da sua. Questionamento que passa de mim para você.
Hã?
Queria que todo o questionamento fosse curto assim, fosse simples assim. Apenas uma breve interjeição de espanto.
Huh?
Toda boa questão, boa demais, precisa apenas de uma breve interjeição.
Sem perguntas longas, que iludem mais que perguntam, que respondem mais do que questionam e que nunca dizem realmente nada.
Apenas curtas interjeições.
Hein?
E depois sorrisos.
Nada mais que encanto.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Julho

"Draupadi, porque teimamos em duvidar quando recebemos uma grande alegria, esperando sempre que ela seja acompanhada de uma tristeza?"

Nós nunca sabemos do dia de amanhã, ele é sempre incerto, sempre nos reserva alguma surpresa.
Nós nunca, nunca sabemos de nada!
Nossa racionalidade?
Nossas precauções?
Nós nunca sabemos de nada!
Sempre julgamos o ontem pelo olhar do que temos hoje, sempre comparamos. E o bem que depositamos no amanhã é apenas o desejo de materialização do que imaginamos que seja um bem hoje.
Tão míopes, tão desorientados. Todos nós, pobres símios.